quinta-feira, 19 de maio de 2011

Os Solos Arenosos

Solos arenosos são aqueles que apresentam menos de 15% de argila. Estes solos possuem uma maior proporção de areia (70%), por isso secam mais rapidamente porque são porosos e permeáveis. Os espaços (poros) entre os grãos são maiores o que possibilita a passagem da água com mais facilidade entre eles e alcançando profundidades maiores. E nesta movimentação da água para as camadas mais profundas, ela carrega junto os nutrientes essenciais às plantas. Por isto, são solos que apresentam pobreza de nutrientes. A densidade aparente varia de 1,2 a 1,8 g/cm³. Quanto maior a densidade aparente, menor a porosidade.
São solos com limitações em relação à fertilidade natural. Estes solos possuem pH ácido, pobreza em nutrientes, baixos teores de matéria orgânica, baixa capacidade de troca de cátions, deficiências de cálcio, e toxidez por alumínio nas camadas mais profundas. Nestas condições, as plantas encontram dificuldade para desenvolverem um ótimo sistema radicular em extensão e em profundidade, causando sérios problemas na produção das culturas, além da toxidez do alumínio. Ao contrário dos solos argilosos, apresentam baixa retenção de água, muito sujeitos à erosão devido a sua baixa estruturação. O mau desenvolvimento do sistema radicular faz com que as plantas sofram estresse hídrico, principalmente nos períodos de estiagem, o que contribui para limitar a produtividade das lavouras. A acidez do solo deve ser corrigida com aplicação de calcário, com a incorporação do produto a profundidades maiores e com bastante antecedência do plantio. A pobreza de nutrientes, principalmente fósforo (P) e potássio (K) pode ser corrigida com aplicações, à lanço, de adubos fosfatados e potássicos, seguidas da adubação de manutenção, com aplicações de NPK, mais adubação de cobertura.
Para uma agricultura sustentável nestes solos, à longo prazo, é preciso a adoção de práticas conservacionistas, a utilização do sistema de plantio direto, a integração lavoura-pecuária, rotação de culturas, adubação verde, etc. A deficiência de cálcio e a toxidez por alumínio nas camadas profundas do solo podem ser combatidas com o uso do gesso agrícola. O gesso contribuirá para criar um ambiente propício ao desenvolvimento das raízes, o que permitirá às plantas atravessarem melhor um veranico e aproveitarem os nutrientes disponíveis na camada mais profunda do solo. O gesso, sulfato de cálcio, libera cálcio e o íon sulfato liga-se ao alumínio formando compostos menos tóxicos para as plantas. A reciclagem de nutrientes é importante nestes solos. A adubação verde, com o plantio de plantas em cobertura e depois incorporadas, favorecem a reciclagem de nutrientes das camadas subsuperficiais para a superfície do solo. Outra vantagem da adubação verde, nestes solos, é o aumento do teor de matéria orgânica, que, originalmente, é muito baixo. Nos solos arenosos, as plantas, para mostrarem alta produtividade, necessitam de grande aporte de adubos orgânicos: bagaço de cana, bagaço de coco e estercos de animais.
Os solos arenosos se prestam para a irrigação, o que melhora a produtividade. Devido à grande profundidade e a drenagem são pouco propensos à salinização.
Os solos arenosos podem ser usados para a agricultura, desde que se pratique um bom "manejo". Os solos arenosos, por suas características, precisam de muitos cuidados quando se destinam à produção de alimentos. A erosão destes solos pode ser aliviada com a introdução do plantio direto ou a rotação de culturas. A baixa retenção de água pode ser compensada pelo maior desenvolvimento do sistema radicular, em área e em profundidade. A deficiência de nutrientes está associada à baixa CTC destes solos, promovendo uma maior lixiviação de cátions. Como grande parte da CTC está associada à matéria orgânica, o aumento do teor orgânico pode ser aumentado pela adição de resíduos vegetais, menor mobilização do solo e tempo de utilização do manejo.
Os solos arenosos têm, como característica, a sua "resiliência". O que é resiliência? Resiliência é a habilidade do solo de resistir ao estresse e recuperar-se depois de cessado o mesmo. Solos com baixa resiliência se degradam e se recuperam com mais facilidade, ao contrário dos solos com alta resiliência. Os solos com baixo teor de matéria orgânica são mais suscetíveis à degradação, são de baixa resiliência. O manejo nestes solos seria aumentar o teor de carbono (C) pelo incremento de resíduos vegetais incorporados (C x 1,72 = MO). No preparo do solo, quando for utilizado o arado e a grade, é necessário considerar 60 a 80% da capacidade de campo. No caso de escarificador e subsolador, a faixa ideal de umidade deve estar entre 30 e 40% da capacidade de campo. O uso do preparo convencional induz rápido decréscimo da agregação facilitando a erosão. A adoção do plantio direto promove um incremento da agregação do solo, dificultando a erosão, e possibilitando uma agricultura sustentável.
OUTROS ARTIGOS PARA LER
A essência para o sucesso do plantio direto
As vantagens do plantio direto
Importância e manejo da adubação orgânica
Época e semeadura dos adubos verdes
Rotação de culturas contra a monocultura
Reciclagem de nutrientes do solo

10 comentários:

  1. Gostei muito do seu blog, também iniciei um blog votado para assuntos relacionado com agronomia, sou universitário e acho que é muito relante este tipo de comunicação já que podemos trocar informações sobre muitos temas, como estou iniciando o meu estou aberto a dicas e sugestão e parcerias. Meu blog é: Agronice.blogspot.com

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  2. Gostei desse blog,vou fazer igual no meu

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  3. Estou trabalhando em um sítio localizado no município de Itapuã e tenho observado estas características de solo arenoso. meu cliente pretende a produzir olerículas e pequenas frutas. estamos utilizando a adubação com o composto da Ecocitrus. Poderias auxiliar no cálculo da dose de adubação???
    obrigado e parabens pelo Blog.

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    1. Prezados Alexandre e Alana,
      Vcs têm que considerar os teores de nutrientes, em %, contidos no composto Ecocitrus. Depois ver quanto de N, P2O5 e K2O recomendados para olerícolas. Parta da nutriente em menor quantidade na recomendação.
      Ex. 40 N 60 P2O5 e 50 K2O (parta de 40 N)
      Vamos supor que o composto tenha 3,8% de N.
      em 100 kg de composto ......... 2,5 kg N
      quanto de composto (X)............ 40 kg N
      X = (40 x 100) / 2,5
      X = 1.600 quilos de composto
      Com as concentrações de P2O5 e K2O no composto, calcular quanto de P2O5 e K2O serão fornecidas pelos 1.600 kg de composto. A diferença deve ser utilizada com fertilizantes minerais.
      Lembre-se, se houver necessidade de transformar P em P2O5 (P x 2,29 = P2O5)
      K em K2O (K x 1,205 = K2O)

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  4. Bom dia!

    Estamos entrando na época das adubações, e preciso de um esclarecimento.
    O solo do meu cafezal é arenoso e tenho lido sobre os parcelamentos das adubações para este tipo de solo.
    Quando chega maio em que o café está crescendo sinto que ele para de crescer, produz grãos menores e sente muito. Então sempre tenho quebra de safra. Sou nova no ramo e o café mais velho tem 5 anos.
    Estudando o por que deste problema vi que ao invés de 3 adubações, temos que fazer de 4 a 5 para este tipo de solo.
    Como se deve proceder? O total do adubo para três adubações é repartido em 4 ou 5 vezes?
    Me foi recomendado 3 adubações de 150 gr, dando um total de 450gr/cova.
    Estou pensando em dividir os 450gr em 4 parcelas.
    Gostaria que me informassem sobre o assunto, o que devo fazer.

    Obrigada,

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    1. Pode ser feita 4 coberturas, parcelando a dose total em 4 vezes. Por exemplo: 60 kg N = 4 x 15 kg N.
      O potássio (K) deve ser aplicado em duas coberturas, ou seja metade da dose recomendada em cada uma dela.
      Aplicar em dias sujeito às chuvas.

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  5. sou estudante de agronomia pela UFMT, e este blog vem me ajudando muito tanto com trabalhos como a nivel de conhecimento vcs estao de parabéns

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  6. Muito bom, oque eu posso fazer ou colocar no solo para deixar mais arenoso?

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    1. Não entendi sua pergunta. por que querer deixar um solo arenoso. Você leu bem os problemas destes solos?

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